A dúvida de quem busca uma recolocação profissional na Grande São Paulo: o mercado de trabalho realmente está aquecido, ou os números escondem um cenário mais desigual entre os setores?
O mercado formal de trabalho brasileiro criou 921.645 novas vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 1,96% em relação ao estoque de empregos existente no início do ano. Os dados, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego por meio do Novo Caged, mostram que São Paulo concentrou o maior saldo entre todos os estados brasileiros, um resultado que impacta diretamente municípios da região metropolitana, incluindo Taboão da Serra.
São Paulo na liderança entre os estados
Considerando os saldos acumulados de todo o ano de 2026, São Paulo registrou 252.558 novas vagas formais, muito à frente de Minas Gerais, com 108.977, e do Paraná, com 69.638. Apenas no mês de junho, o estado paulista gerou 34.981 novos postos de trabalho, superando também Minas Gerais e Rio de Janeiro, que ficaram na segunda e terceira posições nesse recorte mensal.
Esse desempenho consolida São Paulo como o principal motor de geração de empregos formais do país, um cenário que tende a se refletir diretamente na dinâmica econômica de municípios da Grande São Paulo, já que boa parte dos trabalhadores da região metropolitana depende, direta ou indiretamente, de empresas sediadas na capital ou em municípios vizinhos com forte presença industrial e de serviços.
Quais setores puxaram o crescimento
Entre os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas acompanhados pelo Caged, o setor de Serviços foi o grande destaque do semestre, gerando 571.926 postos formais, um crescimento de 2,5%. Dentro desse grupo, atividades ligadas à administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais responderam sozinhas por 208.737 dos empregos criados no período.
A Construção Civil também teve desempenho relevante, com 168.962 novos postos de trabalho no semestre, um crescimento de 5,73%, impulsionado principalmente por obras de infraestrutura, que geraram 64.793 vagas, e pela construção de edifícios, responsável por outras 60.552 vagas. A Indústria fechou o período com saldo positivo de 143.442 postos, alta de 1,6%, enquanto a Agropecuária somou 40.853 novas vagas formais.
Em contraste com o desempenho positivo dos demais setores, o Comércio foi o único grupamento a registrar saldo negativo no acumulado do primeiro semestre, com redução de 3.514 postos de trabalho. Esse dado chama atenção especialmente para municípios da Grande São Paulo com forte presença de comércio varejista, já que indica que a recuperação do mercado de trabalho não está distribuída de forma uniforme entre todos os segmentos da economia.
Esse descompasso pode refletir tanto mudanças estruturais no varejo, impulsionadas pelo crescimento do comércio eletrônico e pela automação de processos, quanto dificuldades específicas enfrentadas por pequenos comerciantes em um cenário de juros ainda elevados e custo de crédito restritivo para expansão de negócios.
O que os números representam para junho isoladamente
Apenas no mês de junho, o Brasil registrou saldo de 145.161 postos de trabalho, resultado de 2,22 milhões de admissões contra 2,07 milhões de desligamentos no período. O saldo positivo foi observado nos cinco grandes setores da economia no mês, com destaque para atividades administrativas e serviços complementares, que geraram 26.634 vagas, seguidas por saúde humana e serviços sociais, com 20.436 novos postos.
Com o estoque nacional de empregos formais ultrapassando 48 milhões de vínculos trabalhistas, e considerando o crescimento de 2,1% observado nos últimos 12 meses completos, entre julho de 2025 e junho de 2026, o mercado de trabalho brasileiro segue em trajetória de expansão, ainda que de forma desigual entre setores e regiões, um cenário que trabalhadores e empresários da Grande São Paulo devem continuar acompanhando de perto nos próximos meses.
Fontes:
- Agência Gov: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202607/novo-caged-mercado-formal-cria-921-6-mil-empregos-no-primeiro-semestre-de-2026
- Ministério do Trabalho e Emprego: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/julho/mercado-formal-cria-921-6-mil-empregos-no-primeiro-semestre-de-2026
