O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, identifica a revisão medicamentosa como uma das intervenções mais impactantes que a geriatria oferece ao paciente idoso. O uso inadequado de medicamentos entre idosos é um problema de saúde pública silencioso, mas de grande magnitude. À medida que o envelhecimento avança e as doenças crônicas se acumulam, cresce também a lista de remédios prescritos por diferentes especialistas, muitas vezes sem uma visão integrada dos riscos que essa combinação impõe ao organismo do idoso.
Ao longo deste artigo, você vai entender o que é polifarmácia, por que ela é tão perigosa na terceira idade, quais são seus sinais de alerta e como o acompanhamento geriátrico pode transformar a segurança e a qualidade de vida do idoso. Leia com atenção e compartilhe com quem precisa.
O que é polifarmácia e por que ela é tão comum em idosos?
A polifarmácia é definida como o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos por um mesmo paciente. Isto é, trata-se de uma situação extremamente comum entre idosos, que frequentemente convivem com múltiplas doenças crônicas, cada uma sendo tratada por um especialista diferente que prescreve seus próprios medicamentos sem necessariamente conhecer ou considerar as prescrições dos demais.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, a polifarmácia não é necessariamente um problema em si mesma. O problema está na polifarmácia não gerenciada, em que nenhum profissional tem uma visão global da lista de medicamentos do paciente e de como eles interagem entre si. Nessa situação, o risco de interações medicamentosas prejudiciais, de efeitos adversos cumulativos e de prescrições contraditórias aumenta de forma exponencial a cada medicamento adicionado.
O organismo do idoso metaboliza medicamentos de forma diferente do organismo de adultos mais jovens. A função renal e hepática diminuída, a maior proporção de gordura corporal em relação à massa magra e as alterações na permeabilidade das membranas celulares fazem com que os medicamentos permaneçam mais tempo no corpo e em concentrações mais altas do que nos jovens. Isso significa que doses consideradas seguras para adultos podem ser excessivas para idosos, e que efeitos colaterais raros em outras faixas etárias podem se tornar comuns na terceira idade.
Quais são os sinais de alerta da polifarmácia inadequada?
Reconhecer os sinais de que a polifarmácia está causando problemas é uma habilidade essencial para familiares e cuidadores de idosos. Muitas vezes, os efeitos adversos dos medicamentos se manifestam de formas que não são imediatamente associadas ao uso dos remédios, sendo confundidos com sintomas de outras doenças ou com o envelhecimento natural.
Yuri Silva Portela frisa que entre os sinais de alerta mais comuns estão tontura e quedas frequentes, confusão mental e piora cognitiva, alterações no humor, como irritabilidade ou apatia, perda de apetite, náuseas persistentes, alterações no ritmo intestinal, insônia ou sonolência excessiva e qualquer mudança abrupta no estado geral do idoso que coincida com o início de um novo medicamento ou com uma alteração de dose. Cada um desses sinais merece ser comunicado ao médico responsável pelo paciente.
Como o geriatra realiza a revisão medicamentosa?
A revisão medicamentosa realizada pelo geriatra é um processo sistemático e cuidadoso que avalia cada medicamento em uso do ponto de vista de sua indicação atual, de sua eficácia, de sua segurança no contexto geriátrico e de sua necessidade contínua. Esse processo frequentemente resulta na suspensão ou substituição de medicamentos que não são mais necessários ou que apresentam riscos excessivos para o perfil do paciente.

Além disso, ferramentas específicas desenvolvidas para a medicina geriátrica, como os critérios de Beers, identificam classes de medicamentos que são potencialmente inapropriados para idosos devido ao seu perfil de efeitos adversos nessa população. O uso dessas ferramentas, combinado com o conhecimento clínico detalhado do paciente, permite ao geriatra tomar decisões embasadas sobre quais medicamentos manter, quais ajustar e quais suspender com segurança.
Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, a revisão medicamentosa é uma das consultas mais impactantes que um idoso pode ter. Em muitos casos, ela resulta em melhora imediata e significativa de sintomas que o paciente havia normalizado como parte do envelhecimento, como tontura, cansaço, confusão e problemas digestivos.
A família como guardiã da segurança medicamentosa
A família tem um papel fundamental na segurança medicamentosa do idoso e precisa estar preparada para exercê-lo com responsabilidade e atenção. Isto é, organizar os medicamentos em caixas semanais com identificação clara de horários, guardar uma lista atualizada de todos os remédios em uso, incluindo suplementos e fitoterápicos, e comunicar ao médico qualquer sintoma novo que apareça após o início de um medicamento são práticas que podem prevenir eventos adversos graves.
Ademais,Yuri Silva Portela esclarece que é igualmente importante que a família esteja atenta ao risco de automedicação, muito comum entre idosos que compartilham remédios com vizinhos e familiares ou que tomam por conta própria medicamentos que foram prescritos para outras situações. Cada medicamento precisa ser avaliado no contexto clínico específico de quem o usa, e o que funciona bem para uma pessoa pode ser perigoso para outra.
A saúde em primeiro lugar: menos remédios, mais eficácia.
A segurança medicamentosa do idoso depende de um olhar especializado que integre todas as dimensões do seu cuidado. Menos medicamentos, bem indicados e cuidadosamente gerenciados, produzem resultados muito superiores a listas extensas de remédios prescritos sem visão de conjunto. Essa é uma das contribuições mais valiosas que a geriatria oferece ao paciente idoso.
A prática do doutor Yuri Silva Portela é um exemplo de como esse cuidado especializado pode transformar a experiência do envelhecimento, tornando-a mais segura, mais confortável e mais alinhada com o que o idoso realmente precisa para viver bem. Da prescrição cuidadosa às ações do Humaniza Sertão, o compromisso com a segurança e o bem-estar do idoso permanece constante.
Converse com um geriatra sobre os medicamentos em uso pelo idoso que você ama. Essa conversa pode ser o início de uma melhora significativa em sua qualidade de vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

