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terça-feira, abril 13, 2021
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Mulher trans morreu porque teria inalado fumaça tóxica durante incêndio em clínica de SP, aponta prontuário médico do HC


Lorena Muniz ficou sem oxigenação, teve parada cardíaca por 17 minutos e queimou nariz e orelha, informa o documento. Ela estava sedada para cirurgia de implante de silicone quando começou incêndio em clínica. Polícia investiga o caso como homicídio culposo. Deputadas trans do PSOL cobram atuação do MP. Lorena Muniz pode ter morrido intoxicada pela fumaça do incêndio, segundo mostra os destaques em vermelho feitos pela reportagem em seu prontuário médico. Ela ainda teve falta de oxigenação no cérebro e parada cardiorespiratória
Reprodução/Arquivo pessoal
A morte da transexual Lorena Muniz , 25 anos, pode ter sido causada pela inalação de fumaça tóxica durante o incêndio que atingiu a clínica de estética, onde ela estava sedada à espera da cirurgia para colocar próteses de silicone nos seios, no último dia 17 deste mês, no Centro de São Paulo.
As informações estão no prontuário médico de Lorena feito pelo Hospital das Clínicas, na Zona Oeste da capital paulista, e obtido pelo G1 (veja foto acima).
Por causa da intoxicação, Lorena ficou sem oxigenação no cérebro e teve uma parada cardiorrespiratória por 17 minutos. Ela ainda ficou com o nariz e a orelha queimados, provavelmente pelas chamas. A morte cerebral da paciente só foi confirmada cinco dias depois, no domingo (21), pelo Hospital das Clínicas .
A Polícia Civil aguarda, no entanto, o resultado do laudo do Instituto Médico Legal (IML) com a causa oficial da morte de Lorena para incluir no inquérito que investiga o caso como incêndio e homicídio culposo, crime no qual não há intenção de matar (veja abaixo).
Nesta terça-feira (23) as deputadas estaduais do PSOL Erika Hilton e Erica Malunguinho, que também são mulheres trans, se reuniram com a Defensoria Pública e pediram que o Ministério Público (MP) acompanhe as investigações sobre o caso (saiba mais abaixo).
Prontuário médico
Lorena Muniz e Tom Negro em foto na página oficial dele nas redes sociais
Reprodução/Arquivo pessoal
“Paciente sedada em mesa cirúrgica para procedimento, inalou fumaça, teve parada cardiorrespiratória de 17 minutos no total”, informa trecho do prontuário médico sobre Lorena e que está com os parentes dela. “Causa (s) possível do óbito: Intoxicação por monóxido de carbono e cianeto, encefalopatia anóxia secundário por parada cardiorrespiratória”,
Ainda segundo o documento, Lorena teve “queimadura de pele em nariz e orelha direita”. A declaração de óbito indica que a “morte encefálica” foi constatada no dia “21/02”.
Segundo policiais ouvidos pelo G1 o laudo necroscópico deverá confirmar a informação do prontuário médico e apontar que Lorena morreu em razão de intoxicação por fumaça, falta de oxigenação e a parada cardíaca.
Investigação
Lorena Muniz em foto publicada nas redes sociais
Reprodução/Instagram
O 1º Distrito Policial (DP), na Sé, apura as causas e eventuais responsabilidades pelo incêndio e pela morte de Lorena.
“Foi instaurado um inquérito para apurar o crime de homicídio culposo”, disse nesta terça ao G1 o delegado Marco Aurélio Batista, titular do 1º DP. “Vamos aguardar os resultados dos laudos necroscópico do IML e de local de crime do IC [Instituto de Criminalística]. Mas certamente ela inalou fumaça. Se não estivesse sedada provavelmente teria se levantado e fugido como os demais”.
A investigação quer saber ainda se a clínica de estética, na Liberdade, cometeu omissão de socorro. Segundo parentes da vítima, funcionários teriam sido negligentes ao abandonar a paciente durante o fogo após um possível curto circuito no local.
“Como Lorena estava sedada, foi difícil tirá-la de lá durante o incêndio. Há relatos de que outros pacientes e funcionários dentro da clínica se assustaram e saíram correndo quando teve o estouro”, disse o delegado.
Além disso, a delegacia investiga se a clínica poderia fazer operações de implantes de silicone naquele lugar. Lorena teria pago R$ 4 mil a clínica Paulino Plástica Segura, que fica em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, para fazer a cirurgia numa outra clínica na capital, segundo testemunhas. Ela deixou Recife, em Pernambuco, somente para colocar as próteses.
A clínica onde foi feita a cirurgia não tem aval dos Bombeiros para funcionar. No sistema da corporação não há registro do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Esse documento é exigido para garantir que o imóvel tem os equipamentos adequados para o combate a incêndios.
Em nota, a Vigilância Sanitária da capital informou que o estabelecimento tinha licença para realização de procedimentos médico-cirúrgicos de pequeno porte, sob anestesia local. No entanto, a nota não esclarece se esse era o tipo de cirurgia que Lorena realizava. A prefeitura informou ainda que a unidade de vigilância em saúde da região vai avaliar o caso.
“Os donos da clínica, funcionários e médicos serão chamados para prestarem todos esclarecimentos necessários sobre o caso”, falou Batista.
O que diz a clínica
Imagens de redes sociais mostram pacientes de clínica de estética em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde ocorreu um incêndio nesta quarta-feira (17)
Reprodução/Instagram
A empresa nega omissão de socorro em relação a Lorena e alega que seguiu orientações da Polícia Militar (PM) de que a remoção da paciente teria de ser feita pelo Corpo de Bombeiros, que também apagaram as chamas.
“Tinha treinamento para lidar com este tipo de situação, tanto que eles evadiram as pessoas e, quando tentaram retornar, não conseguiram. Havia dois auxiliares de enfermagem que tentaram retirar a paciente, mas na esquina vinha vindo uma viatura e ela já interveio pra que eles não entrassem lá, e aguardassem o Corpo de Bombeiros”, afirmou durante a semana o advogado da clínica, Daniel de Santana Bassani.
Segundo Bassani, a clínica funcionava de forma regular e os funcionários eram treinados para lidar com todo tipo de situação.
“Nós tentamos fazer de tudo para retirar a paciente, mas os policiais militares, de forma coerente, não permitiram que fosse retirada por pessoas que não tinham a capacidade pra isso. Os bombeiros entraram e retiraram”, declarou o advogado.
Família da vítima
‘Que não aconteça com a filha de outra Elisangela’, diz mãe de trans que morreu em incêndio em uma clínica
A cabeleireira Lorena saiu de Paulista, no Grande Recife, para São Paulo realizar uma cirurgia de implantação de próteses de silicones nos seios.
Segundo seu marido, Washington Barbosa, conhecido como blogueiro Tom Negro, o ar condicionado da clínica pegou fogo e todos os funcionários saíram, deixando Lorena inconsciente em uma sala.
“O ar-condicionado pegou fogo, todos saíram correndo, ela ficou lá, inconsciente, sedada, inalando fumaça. Chegou a ficar por sete minutos inconsciente, e isso gerou um prejuízo para o oxigênio no cérebro dela, segundo os médicos”, chegou a postar Tom nas suas redes sociais.
De acordo com a pasta da Segurança, uma equipe de uma agência de energia elétrica realizava manutenção na rua quando ocorreu uma explosão dentro da clínica, dando início ao incêndio.
Um vídeo que circula nas redes sociais de ativistas mostra pacientes da clínica na calçada, relatando o incêndio e informando que uma pessoa ainda estava dentro do local.
“Eu quero Justiça para que não aconteça mais com nenhuma filha”, disse Elisangela Muniz, mãe de Lorena, que autorizou a doação dos órgãos da filha. “E outra mãe não tenha que sofrer o que eu estou sofrendo”.
Deputadas trans
Erika Hilton, em foto de novembro de 2020
Taba Benedicto/Estadão Conteúdo
“Estou protocolando na Câmara Municipal de São Paulo uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] investigatória com violência contra as pessoas trans, mas com o carro-chefe, o norte sendo o que aconteceu com a Lorena”, disse a deputada Erika Hilton. “Para que a gente não deixe isso se tornar mais uma estatística e nem o vir como se fosse um caso isolado”.
“Para que esse caso não caia no esquecimento, que pessoas trans, mulheres trans passam por situações como essas recorrentemente e que a prefeitura e os órgãos competentes do estado fiscalizem com maior veemência e cuidado todos esses procedimentos cirúrgicos que acabam levando pessoas como Lorena a óbito”, afirmou a deputada Erica Malunguinho.
A deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL)
Divulgação/Alesp

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