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segunda-feira, novembro 23, 2020
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Política ambiental de Bolsonaro causa prejuízos ao Brasil

Alguns dos principais jornais de circulação nacional noticiaram hoje que os incêndios na Amazônia e no Pantanal poderão inviabilizar a assinatura do festejado acordo União Europeia-Mercosul.

A maioria dos eurodeputados que, em Bruxelas, compõem o Parlamento Europeu, aprovou um texto vetando a ratificação do acordo, e explicitando preocupações em relação às políticas ambientais postas em prática pelo governo Bolsonaro, que estariam descumprindo frontalmente compromissos assumidos no Acordo de Paris, especialmente no que tange ao enfrentamento do aquecimento global e à defesa da biodiversidade.

E, por aqui, o presidente Bolsonaro insiste em colocar a culpa pelos incêndios em índios e caboclos…

Na realidade, o maior patrimônio natural do nosso país, que é a Floresta Amazônica, vem sendo devastada contínua e ininterruptamente pela atividade madeireira ilegal, pelos garimpos clandestinos, pelo avanço da fronteira agrícola (e pecuária) e pelas queimadas.

Enquanto isso, os movimentos ambientalistas são demonizados e acusados de formar deliberadamente inocentes úteis. Seus acusadores fingem ignorar fatos e números catastróficos que saltam aos olhos.

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Ainda perde-se tempo com o estéril argumento de que aqueles que destruíram suas coberturas florestais não teriam legitimidade para clamar contra a destruição das nossas florestas. Se há legitimidade ou não, trata-se de discussão de importância secundária. São sofismas que servem apenas para desviar o foco e retardar indefinidamente a tomada das medidas de enfrentamento ao problema.

E não é apenas imoral, mas insano, assistirmos passivamente à degradação de ecossistemas dos quais dependem a vida no nosso planeta.

No Brasil, ao invés de seguirem trombeteando o eterno mantra de que a Amazônia é objeto de “cobiça internacional”, e que se encontra em iminente perigo de ser pilhada por “potências estrangeiras”, deveriam reconhecer que os empreendimentos mais danosos à região são capitaneados justamente por brasileiros, e são esses brasileiros, inclusive na condição de autoridades constituídas – de vários níveis e esferas – que, letárgicos e permissivos, não vêm tomando as medidas que deveriam ser tomadas para a sua efetiva proteção.

E essa riqueza, matéria prima que alimentará a nova onda industrial, a “era da biotecnologia”, segundo o economista americano Jeremy Rifkin, está aqui no Brasil – na Amazônia, na Mata Atlântica, no Cerrado, na Caatinga, nos Campos Sulinos e no Pantanal.

Seria pedir demais de um governo de inspiração terraplanista, cuja ausência de sensibilidade parece nos fazer retroceder à Idade Média, entender que não são apenas as riquezas minerais e as dimensões da Amazônia que a fazem importante, mas, sobretudo, a sua diversidade biológica?

Se a megadiversidade das nossas florestas não for entendida, jamais será valorizada.

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