O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 6, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai doar 1 milhão de doses de hidroxicloroquina para o Brasil. “Se tivermos necessidade de mais comprimidos, não tenho problema em ligar pra ele. Vamos buscar, ele manda pra cá, e a gente distribui esse medicamento”, afirmou. O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, que participou de transmissão ao vivo junto com o presidente, evitou defender a cloroquina e orientou os pacientes a seguir recomendações médicas, apesar de concordar que os estoques estão baixos. Recentemente, o Ministério da Defesa informou que há 1,8 milhões de comprimidos restantes, além de um milhão que já foram direcionados ao Ministério da Saúde.

No início da live, Bolsonaro chegou a brincar que iria efetivar Pazuello no cargo. Depois, criticou o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta por não ter liberado o uso da cloroquina para pacientes com quadros leves da Covid-19. “Estava no protocolo que a cloroquina só poderia ser aplicado em casos graves. Eu passei para ele para liberar a aplicação no início e ele foi radicalmente contra. Foi uma sugestão, não uma imposição, queria liberar para o médico decidir”, disse o presidente. Um dos motivos para a demissão de Mandetta foi justamente discordâncias em relação ao uso do medicamento, além do isolamento social.

Para Bolsonaro, se o protocolo tivesse sido seguido, “mortes poderiam ter sido evitadas”. “Pedi para os embaixadores me falarem os números de óbitos na Índia e na África. O número de mortes foi lá embaixo, e eles tomaram isso [cloroquina] à rodo”. A Índia é o terceiro país com o maior número de mortes pela Covid-19 no mundo, com 40.699; já a África do Sul, país mais afetado pela pandemia no continente africano, soma 9.604 mortes. Porém, ambos têm sistemas de saúde precários, com capacidades de detecção limitadas. O Brasil registra 2.912.212 de ocorrências e 98.493 óbitos por infecção pelo coronavírus. “A gente lamenta todas as mortes, provavelmente vai chegar a 100 mil, mas precisamos tocar a vida, e buscar uma maneira de se safar desse problema”, disse o presidente.