O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta quarta-feira, 15, as previsões negativas sobre a economia brasileira, e afirmou que o País “está se recuperando de forma interessante”, mesmo com a pandemia da Covid-19. Em entrevista exclusiva ao Os Pingos nos Is, Guedes elencou alguns sinais de otimismo, como o consumo de energia do mês de junho — que ficou apenas 3% abaixo do que o mesmo período do ano passado –, e a emissão de notas fiscais no último mês no País — 70% acima de junho de 2019.

“Estamos nos levantando. Essas previsões são totalmente descredenciadas, como a queda do PIB em 10%, prevista no início da pandemia”, disse o ministro. “Os sinais vitais do Brasil estão preservados. É como um urso que entrou em hibernação, está apenas no modo de economia de energia, vai se levantar e começar a andar de novo, vamos surpreender o mundo”, continuou.

No último relatório Focus, os analistas de mercado consultados pelo Banco Central estimaram uma queda de 6,10% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. Já a projeção oficial do BC é de retração de 6,4% em 2020, conforme o Relatório Trimestral de Inflação publicado no dia 25 de junho. O Ministério da Economia apresentou uma projeção mais otimista, e manteve ontem a previsão para a queda do PIB em 2020 em 4,70%.

Recuperação econômica

Guedes reafirmou que aposta na recuperação econômica pós-crise em “V”, uma retomada tão rápida quanto a queda.  Para ele, o Brasil é um dos países que mais gastou em programas emergenciais durante a pandemia da Covid-19, acima da média das nações avançadas, e quase igual aos Estados Unidos — país que mais gastou até agora. Segundo ele, os auxílios do governo preservaram mais de 10 milhões de empregos formais. No entanto, de acordo com o ministro, todo este montante veio através de endividamento: o déficit primário do setor público brasileiro deve chegar neste ano a R$ 828,6 bilhões, ou 12% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para a recuperação econômica, Guedes defendeu a volta das reformas estruturais e a diminuição do funcionalismo público, além da abertura para investimentos internacionais. “O Brasil está em uma transição democrática, fez a abertura política, mas não conseguiu fazer a abertura econômica”, afirmou.