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quinta-feira, dezembro 2, 2021
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China derruba live do lançamento do iPhone 12 da Apple

Tim Cook, o presidente da Apple, abriu o lançamento do iPhone 12 nesta terça-feira, 13, dizendo ser o começo de uma nova era. Afinal, estava ali para lançar seu telefone com 5G, a tecnologia celular de quinta geração que promete ser tão rápida que vai transformar a relação das pessoas e das coisas com a internet. Mas, do outro lado do mundo, a nova era não chegou. Pelo menos, não a do iPhone 12. A China derrubou a live da Apple sem nenhuma razão, segundo informou um repórter de tecnologia da Bloomberg, que fica baseado em Pequim. A notícia também foi reproduzida pela agência Reuters. A Apple disse a VEJA que não iria comentar o assunto.

Leia nesta edição: os planos do presidente para o Supremo. E mais: as profundas transformações provocadas no cotidiano pela pandemiaVEJA/VEJA

Tencent Video, Bilibili, Iqiyi e Weibo teriam cancelado a live. Se a medida é uma retaliação chinesa a Donald Trump, isso ainda é uma incógnita. Mas, se levado em conta que o presidente Trump baniu a Huawei dos Estados Unidos, alegando que os chineses estão espionando os americanos, por que a China não poderia dizer o mesmo da Apple? A Huawei é uma das maiores fabricantes de equipamentos telefônicos do mundo e está impedida de operar o 5G nos Estados Unidos. Não há ainda explicação para o ocorrido na live da Apple. Mas as ações da empresa na Nasdaq chegaram a cair 5% depois que a live começou, às 14h, hora de Brasília. Já caminhando para a última hora do mercado americano, os papéis ainda caíam quase 2%.

Se a China resolver retaliar a Apple, o impacto sobre a empresa pode ser tremendo. Cerca de 20% das vendas da companhia acontecem na China. Quando o governo Trump disse que iria banir o WeChat e o TikTok dos Estados Unidos, em agosto, e proibiu as empresas americanas de fazer negócios com estas empresas, a Apple estremeceu. Na China, cerca de 95% daqueles que possuem iPhone disseram que simplesmente trocariam de telefone caso não rodasse o WeChat, um super aplicativo que serve para quase tudo no país. Ele chega a ser considerado mais importante que o próprio celular, como pode se notar. Na época, Trump tranquilizou a Apple dizendo que a medida só valia para os negócios em solo americano. Mas a dúvida de como a China responderia ao caso ficou no ar. Em meados de setembro, o jornal chinês Global Times chegou a informar que a Apple poderia ser apresentada à “Lista de Entidades Não Confiáveis” pelo Partido Comunista Chinês. Trata-se de uma lista de empresas estrangeiras acusadas de maltratar empresas chinesas.

Não bastasse a encrenca com a China, o lançamento do iPhone 12 com 5G também passa por um outro teste: o quanto as pessoas estarão dispostas a comprar um telefone só porque ele tem um 5G, que nem funciona ainda tão bem mesmo nos Estados Unidos onde a tecnologia já está disponível. Alguns analistas estão reportando pesquisas que mostram que só 10% dos americanos que possuem um iPhone estariam dispostos a fazer a troca. Mas a pesquisa não levou em consideração alguns atrativos que a Apple anunciou hoje como uma parceria com a telefônica Verizon para incrementar a experiência de quem assiste a um jogo de futebol americano no estádio ou a possibilidade de jogar um dos games mais famosos do mundo, o League of Legends, com alta definição diretamente na tela da celular. Resta saber se será suficiente para atrair compradores. A Apple também lançou hoje o HomePod, um auto-falante inteligente da Siri que chegou para competir com o Echo e a Alexa, da Amazon.

Em agosto, no auge da valorização das ações da Apple na Nasdaq, alguns especialistas chegaram a apostar que a empresa passaria a valer 3 trilhões de dólares por conta do potencial de venda do iPhone com 5G nos próximos dois anos. A empresa bateu o valor recorde de 2 trilhões de dólares em agosto e mesmo com a baixa do mercado em setembro tem resistido e ficado acima da marca na maior parte dos pregões. Nesta terça, mesmo com a queda do dia, a empresa ainda valia 2,1 trilhões de dólares.

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