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sábado, outubro 24, 2020
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Dos elogios ao ‘fim da Lava Jato’: frases de Bolsonaro envelheceram mal

Embalado pela popularidade da Lava Jato, que colocou na cadeia parte da elite política e empresarial do país, o então candidato a presidente Jair Bolsonaro tentou a todo custo se vender na campanha eleitoral de 2018 como o candidato da operação que descobriu um esquema imenso de corrupção na Petrobras.

Não faltaram elogios e promessas de apoio irrestrito à continuidade das investigações. “Os que hoje se colocam contra ou relativizam a Lava Jato estão também contra o Brasil e os brasileiros”. “Não permitiremos que acabem com a Lava Jato”. “Apoiar a Lava Jato é fundamental no combate à corrupção no Brasil”, foram algumas das frases publicadas por Bolsonaro entre agosto e novembro de 2018.

Na época, Bolsonaro fazia questão de frisar que quem desejava o fim da Lava Jato era o PT, que tinha como primeiro candidato o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá – depois, impedido por esse motivo de disputar a eleição, ele foi substituído por Fernando Haddad. Em seu material de campanha, Bolsonaro pontuava o rumo da Justiça “sem interferências políticas” como uma das principais diferenças entre ele e o seu adversário petista. E criticava descaradamente o bloco de partidos conhecido como Centrão, que declarou apoio em massa ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

O ápice do “apoio incondicional” à operação veio em novembro de 2018, quando, após a vitória nas urnas, Bolsonaro nomeou o ex-juiz Sergio Moro como ministro da Justiça. Nas palavras do próprio presidente, eles concordavam “em 100% de tudo”, Moro teria “ampla liberdade” para compor o seu segundo escalão e, se antes ele “pescava com varinha, agora pescaria com rede de arrastão de 500 metros”.

No início de 2019, já como presidente, Bolsonaro continuou fazendo menções honrosas à operação. Vira e mexe, anunciava em suas páginas uma fase nova da força-tarefa de Curitiba, que hoje está na 76ª, e chegou até a prometer uma Lava Jato no Ministério da Educação (MEC), que depois ninguém mais ouviu falar.

O casamento entre o bolsonarismo e a lavajatismo começou a passar por turbulências em julho, quando o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli – o mesmo que hoje recebe abraços efusivos de Bolsonaro -, decidiu de forma liminar e monocrática restringir o uso de informações levantadas pela Coaf (orgão de inteligência da Receita) em investigações em curso, sem prévia autorização judicial.

A decisão atendeu a um pedido específico da defesa do primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que era investigado no caso das rachadinhas, mas por tabela paralisou uma série de apurações por corrupção no país todo. Em setembro, viria o segundo grande baque para a relação que já vinha conturbada – a nomeação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República, um nome de fora da tradicional lista tríplice e que tinha objeções a certos procedimentos das forças-tarefas da Lava Jato.

Sergio Moro

O divórcio, no entanto, só se concretizou mesmo com a saída explosiva de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em abril, que deixou o posto criticando o ex-chefe por falta de autonomia na pasta e por tentativa de interferência na Polícia Federal.

A partir de então, Bolsonaro parou de falar sobre a Lava Jato até que o assunto voltou à tona agora no momento em que ele indicou ao Supremo o desembargador Kassio Nunes, nome avalizado por seu filho Flávio e por críticos conhecidos da Lava Jato, como o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, e os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O presidente também abandonou a retórica de anti-establishment e está numa fase de lua de mel com líderes do Centrão, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros que foram ou são investigados pela operação. Em visita a cidades do Piauí, apoiadores de Nogueira receberam o presidente aos gritos de “fim da Lava Jato”.

Nesse novo contexto – bem diferente do da eleição de 2018 -, o presidente aproveitou uma cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, dia 7, para dizer que ele “acabou” com a Lava Jato, “porque não tem mais corrupção no governo”. “Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, completou. O tom pode ter sido irônico, mas a fala foi um recado à sua base lavajatista que passou a criticá-lo pela indicação de Kassio Nunes.

Força de expressão ou não, a força-tarefa da Lava Jato no Paraná, que já havia entrado em rota de colisão com Augusto Aras, não gostou nada da declaração do presidente. Além de lamentar a fala, afirmaram que ela indica o “desconhecimento” de Bolsonaro sobre a operação e a “ausência de efetivo comprometimento dos mecanismos de combate à corrupção”. Alguns procuradores viram na ação um movimento político para enfraquecer possíveis planos eleitorais de Sergio Moro, tendo em vista as eleições de 2022.

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