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sábado, outubro 24, 2020
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Coletores de lixo de Taboão da Serra mantêm greve por 9,5% de aumento salarial

Depois de 22 dias em greve, os coletores de lixo da cidade de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, ainda não entraram em acordo com as empresas. Na tarde de hoje (14), sindicatos patronais e trabalhadores participam de uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para tentar o consenso. Os trabalhadores pedem reajuste de 9,5% e as empresas aceitam dar 8,5%. Os sindicatos de outras 30 cidades, que também faziam greve, conseguiram esse percentual.

O presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental, Áreas Verdes Públicas e Privadas de Taboão, Cotia e Região (Siemaco Taboão), Donizete França, disse que a decisão ficará por conta da Justiça, já que os trabalhadores não abrem mão do reajuste de 9,5%, tendo em vista que coletores de outras cidades obtiveram esse percentual de aumento.

“Infelizmente o prefeito não se colocou na posição de intermediário, como aconteceu em outras cidades, para forçar a empresa a dar o que reivindicamos. Não tem sentido que aceitemos 8,5% se, em outras cidades, eles conseguiram o percentual maior. Se não houver acordo hoje, manteremos a paralisação até o TRT julgar a greve”.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo, que representa todos os sindicatos dos trabalhadores da categoria, Roberto Santiago, afirmou que a resistência e a inflexibilidade do sindicato patronal fizeram com que os profissionais de mais de 90 municípios seguissem para sua terceira semana em greve. “Enquanto mais de 30 cidades fecharam acordo de reajuste equivalente aos 9,5%, o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (selur) oferece, intransigentemente, um reajuste de apenas 8,5%. Isso é lamentável”, disse Santiago.

A dona de casa, Joana Angélica de Alencar, moradora do Jardim Record, contou que na porta das casas da rua onde mora há muito lixo acumulado, o que atrai moscas, baratas e ratos. “Há comida espalhada na rua e o cheiro é insuportável. Não está passando a coleta nenhum dia. Tem gente que paga alguém para passar e pegar. Muitas vezes meu marido coloca o lixo no carro e leva para algum lugar”.

O comerciante José Carlos Cartoni não sentiu que a greve atrapalhou o comércio, mas considerou que o lixo acumulado acaba se espalhando e isso deve trazer doenças e atrair bichos. “Eu entendo que o pessoal que trabalha com esse material insalubre precisa de aumento salarial, e quando eles fazem uma greve é que percebemos o quanto o serviço faz falta para a cidade. Fico consternado de saber que se gasta dinheiro com tantas coisas fúteis e se deixar esse serviço essencial de lado”.

A desempregada Lais Moreira Passos relatou que no bairro onde mora, o Jacarandá, o lixo chega a atrapalhar a passagem nas calçadas. “Aqui, a coleta tem passado só uma vez por semana. É ruim porque atrai bichos e deixa um cheiro ruim na rua. Eu acho que a greve atrapalha, mas acredito que eles devem ter os motivos deles para fazer isso”.

A prefeitura de Taboão da Serra informou que aguarda o julgamento do Tribunal Regional do Trabalho, que definirá o percentual de dissídio a ser aplicado pelas empresas de coleta de lixo e acolhido pelos sindicatos e trabalhadores. Por meio de nota, a administração municipal ressaltou que não pode intervir nas negociações com os trabalhadores, uma vez que a empresa Cavo (responsável pela coleta de lixo na cidade) é terceirizada.

Segundo as informações, enquanto a paralisação não termina, a prefeitura segue com o plano emergencial, que conta com 70 homens da Defesa Civil e das secretarias de Manutenção e de Obras, Infraestrutura e Serviços Urbanos, que trabalham na coleta de 380 toneladas de lixo por dia. “A empresa Cavo nos afirmou que está cumprindo a decisão judicial de manter 70% do efetivo dos coletores de lixo e garis nas ruas, além de realizar 100% da coleta de resíduos hospitalares”, diz a nota.

A prefeitura reforçou que o plano emergencial, somado aos 70% do efetivo da empresa terceirizada, está normalizando gradativamente os serviços de coleta, e que a situação deve ser resolvida em menos de uma semana, após o final da greve.

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